terça-feira, 26 de junho de 2012

A Cruz e o Perdão


«Se há sabedoria rasa e pouco poder na nossa adoração e ministério, creio que é porque tão poucos de nós se entregaram ao que Paulo chama de morrer diariamente para o egocentrismo em todas as suas formas, incluindo a autopromoção e a autocondenação.

Fui padre franciscano durante 26 anos. Durante esse tempo, compreendi o motivo de o fundador da nossa comunidade, Francisco de Assis, não conseguir comer uma refeição num aposento onde tivessse uma Cruz ou crucifixo pendurada sem que lágrimas rolassem pelo seu rosto. É lembrado como o santo mais jubiloso da história cristã. Isso foi possível porque o foco da atenção de Francisco não estava no sofrimento em si, mas no Cristo sofredor. Francisco sabia que se ele tivesse sido a única pessoa a jamais caminhar sobre a terra, Jesus teria suportado a vergonha da Cruz por ele apenas(....)

O reconhecimento da dor de Cristo não pode estar separada do conhecimento do seu amor. Jesus Cristo crucificado não é meramente algum exemplo heróico para a igreja. É o poder e a sabedoria vivos de Deus, capacitando-nos a estender uma mão de cura a pessoas que nos defraudaram, prejudicaram ou nos voltaram as costas. Quando ouvimos a sua oração pelos seus executores: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" (Lucas 23: 34), Ele lentamente transforma o nosso coração de pedra em coração de carne. Ao pé da cruz reconhecemos a nós mesmos como inimigos perdoados de Deus e somos capacitados a estender esse perdão e reconciliação.

Retorcendo-se em agonia na Cruz, Jesus diz: "Eu conheço cada momento de pecado, egocentrismo, desonestidade e amor degradado que tem desfigurado a tua vida, e eu não te julgo indigno de compaixão, perdão e salvação. Agora sê assim com os outros. Não julgues ninguém".

Apenas quando reivindicamos o amor do Cristo crucificado com convicção sentida, esse amor que transcende todos os julgamentos, somos capazes de superar qualquer medo de julgamento. Enquanto continuarmos a viver como se fossemos o que fazemos, como se fossemos o que possuímos, e como se fossemos o que os outros pensam de nós, permaneceremos repletos de julgamentos, opiniões, avaliações e condenações. Permaneceremos viciados à necessidade de colocar as pessoas nos seus lugares.»