quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O QUE É SATANISMO E QUEM SÃO ELES: NOMES CONHECIDOS

Anton LaVey e a história da Igreja de Satanás



Na noite de Walpurgisnacht, 30 de Abril de 1966, Anton Szandor LaVeycerimoniosamente rapou a sua cabeça, na tradição dos Yezidi, como parte de um ritual que estabeleceu a primeira organização da religião satânica: a Church of Satan. LaVey também declarou o ano 1966 como sendo o "I Ano Satanás" - o primeiro ano do reino de Satã.
Apesar de terem existido muitos grupos "underground" ("submundo"), como o Hell Fire Club (Clube Fogo do Inferno) e o Abbey of Thelema (Mosteiro de Thelema), que praticavam os mesmos princípios de LaVey, o nascimento da Church of Satan, que foi a primeira religião organizada, dedicada às filosofias satânicas, foi pública e publicitada.
No espaço de um ano, a Church of Satan recebeu um reconhecimento a nível mundial, devido à cobertura mundial de muitos dos seus eventos. Muitos dos primeiros artigos sobre as Missas Negras (Black Sabbath) semanais, apareciam em várias revistas dedicadas ao leitor masculino, devido à Church of Satan usar constantemente uma mulher nua como altar, nos seus rituais. No entanto, no dia 1 de Fevereiro de 1967 a Church of Satan apanhou o mundo de surpresa quando repórteres de todo o mundo juntaram-se em San Francisco (capital do Satanismo) para cobrirem o casamento satânico de John Raymond, um jornalista político, com Judith Case, a filha de um conhecido advogado de Nova York. Apesar de este não ser o primeiro casamento satânico a ser feito por Anton LaVey, a fama de John e Judith virem de uma boa família despertou interesse suficiente para o casamento se tornar no evento de San Francisco mais famoso de todos os tempos, mais até que a inauguração da ponte Golden Gate. Os artigos seguintes tornaram LaVey no "Papa Negro".
Uns meses mais tarde, no dia 23 de Maio de 1967, LaVey achou que era tempo de mostrar ao mundo que o Satanismo não tinha nada a ver com sacrifícios de crianças, conduzindo o primeiro baptismo satânico da sua filha Zeena. Os jornalistas e fotógrafos começaram a fazer fila à porta da Black House tão cedo como 15 horas antes da cerimônia, de modo a conseguirem boas fotografias da menina de 3 anos que estava vestida num robe vermelho vivo completado com o seu medalhão com um Baphomet. Quando o ritual começou a jovem Zeena sentava-se sorridente enquanto o seu pai começava a recitar uma invocação poderosa que veio mais tarde a ser incluída no livro "Satanic Rituals". Ela adorou toda a atenção que recebeu dos fotógrafos que estavam cativados pela ideia de tanta inocência ser dedicada a Satã.
Em Dezembro de 1967, a Sra. Edward Olsen abordou LaVey com o intuito de lhe perguntar se ele conduziria um funeral para o seu marido, um oficial Naval que tinha sido recentemente vítima de um acidente de automóvel. Apesar dos oficiais Navais terem algumas dúvidas sobre a ideia, acabaram por aceder ao pedido da Sra. Olsen. No funeral, soldados fardados alinharam com Satanistas de túnica negra; e quando o ritual acabou, os guardas Navais dispararam três salvas seguidos de gritos de "Hail Satan! Hail Edward!". Depois deste evento, o Satanismo foi incluido no Chaplain's Handbook das Forças Armadas, passando a ser uma religião reconhecida.
No Outono de 1966, a bomba loura de Hollywood, Jayne Mansfield ouviu reportagens desta nova Igreja dedicada a Satã e conheceu o Papa Negro em pessoa. Anton e Jayne entenderam-se imediatamente, e ela rapidamente tornou-se num membro ativo e mais tarde numa Sacerdotisa da Church of Satan. No entanto, o namorado/advogado de Jayne, Sam Brody, apercebeu-se que ela estava a apaixonar-se por Anton LaVey. Brody passou então a causar o máximo de problemas possíveis a Jayne e Anton, o que levou LaVey a pôr uma poderosa maldição nele. LaVey avisou Jayne que ela estava em perigo constante sempre que estava com Brody.
Infelizmente Jayne não deu ouvidos a Anton, e a 19 de Junho de 1967, enquanto viajava para Nova Orleans com Sam Brody, o carro que conduziam acidentou-se contra um caminhão tanque, vitimando ambos. LaVey estava na altura em casa, em San Francisco, a recortar fotografias de uma revista quando reparou que no lado oposto de um recorte tinha cortado uma fotografia de Jayne ao longo do pescoço. Uns minutos depois recebeu um telefonema informando-o que Jayne tinha falecido quase completamente decapitada, num acidente de automóvel.
Esta não foi a única envolvência da Igreja com Hollywood. Em 1968 LaVey fez o papel de demônio na obra-prima de Roman Polanski: "O bebê de Rosemary" (Rosemary's Baby). Além de atuar, LaVey foi "conselheiro técnico" e participou em eventos promocionais para o filme. Ao longo dos anos houve um número de membros ligados a Hollywood, como Sammy Davis Jr. e Marilyn Manson.
Marilyn Manson ao lado de Anton LaVey
Em 1969 o número de membros já tinha crescido para 10 mil membros no mundo todo, e LaVey decidiu que estava na altura de publicar o seu maior, mais diabólico, e mais blasfemo trabalho de todos: "The Satanic Bible" (A Bíblia Satânica). Este livro tornou-se no pilar da Church of Satan daí para a frente. Seguiram-se "The Compleat Witch" em 1970 (mais tarde revisto e re-editado sob o nome "The Satanic Witch"), e em 1972: "The Satanic Rituals" (Os Rituais Satânicos).

Nesta altura a Church of Satan já tinha estabelecido Grottos [1] por todo o mundo e LaVey tentou fazer visitas papais a todos eles, conforme podia. Mas devido às constantes ameaças e agressões que recebia de terceiros, e problemas de segurança para si e para a sua família, LaVey achou que devia cortar com as relações públicas e por volta de 1970 todas as palestras e rituais públicos conduzidos por LaVey deixaram de existir. Depois, em 1972, todas as cerimónias semanais realizadas na Black House cessaram também. A organização e realização de atividades satânicas passou a ser responsabilidade dos Grottos, enquanto que o Grotto Central passou apenas a supervisionar, aprovar e guiar os membros ativos da Church of Satan.
Church of Satan passou por uma vasta reorganização. LaVey queria que a sua organização se tornasse num cabal "underground" em vez de um Clube de Pen Pal satânico. Mas ao pôr um freio nas atividades públicas, LaVey levou à alienação de pequeno número de apoiantes. Isto levou a um pequeno cismar em 1975, quando o n.º 1 do Grotto de Louisville, KY, Michael Aquino, juntamente com os seus devotos, separaram-se da Church of Satan e formaram uma nova religião e organização chamada Temple of Set (Templo de Set).
Enquanto o número de membros da Church of Satan continou a crescer durante os anos 70 e 80, LaVey continou um recluso virtual, raramente dando entrevistas ou aparecendo em público. Ele praticamente contactava com os amigos através do Boletim Informativo oficial da Church of Satan: "The Cloven Hoof". Quando a "Cloven Hoof" deixou de ser publicada em 1988, outras revistas satânicas como "The Black Flame" (A Chama Negra) aproveitaram o que a "Cloven Hoof" deixou.

Diane Hegarty administrou a Church of Satan, como Suma Sacerdotisa (High Priestess) desde 1966 até a sua separação de Anton em 1984. De 1985 a 1990, a filha mais nova de LaVey, Zeena, tomou o lugar da sua mãe como Suma Sacerdotisa. Quando Zeena deixou a sua posição e a Church of Satan em 1990, LaVey apontou Blanche Barton, a sua nova companheira e secretária, para a posição vaga.
Blanche subsequentemente escreveu e publicou dois livros em 1990. Um foi "The Church of Satan", que detalhava a história da Church of Satan e o segundo foi "The Secret Life of a Satanist", a biografia autorizada de Anton LaVey. Após a publicação dos livros de Blanche Barton, LaVey publicou então o seu primeiro livro no espaço de 20 anos: "The Devil's Notebook", uma coleção de textos e dissertações que tinha vindo a escrever desde os anos 70. No ano seguinte, em 1993, nasceu Satan Xerxes Carnacki LaVey, o primeiro filho varão de LaVey e de Blanche Barton.
Em 29 de Outubro de 1997, o grande líder da Church of Satan e Papa Negro, Anton Szandor LaVey perece devido a um edema pulmonar no Hospital de St. Mary, depois de anos de problemas cardíacos. Dias antes do seu falecimento, LaVey tinha acabado o seu trabalho para o livro "Satan Speaks!". Foi publicado no ano seguinte, prefaciado por Marilyn Manson e com uma introdução por Blanche Barton.
Apesar de documentos perfeitamente legíveis e assinados à mão por Anton LaVey, indicando o seu filho Xerxes como sendo o seu herdeiro e Blanche Barton como sendo a High Priestess, Blanche acordou trabalhar em parceria com a filha mais velha de Anton, Karla, de modo a preservar o seu legado. Barton até chegou ao ponto de oferecer a Karla a posição de Co-High Priestess. Karla de início aceitou mas mais tarde proclamou ser a única líder da Church of Satan.
Este conflito tornou-se num processo jurídico que resultou num acordo entre Blanche Barton, Karla LaVey e Zeena (LaVey) Schreck, onde Blanche aceitou abdicar dos direitos únicos que Xerxes tinha sobre a herança de LaVey em troca da posição única na liderança da Church of Satan.
Hoje [até o fechamento desta matéria, em 2003], a Church of Satan é liderada por Peter Gilmore, nomeado para High Priest(Sumo Sacerdote) por Blanche Barton, em 30 de Abril de 2001, e por Peggy Nadramia que em 30 de Abril de 2002, trocou de posição com Blanche Barton, ficando como High Priestess e Blanche Barton como Magistra Templi Rex.
Peter Gilmore é hoje [até o fechamento desta matéria, em 2003] o sucessor de Anton LaVey e o segundo High Priest na história da Church of Satan. A sua esposa Peggy Nadramia é a responsável pelas relações públicas da Church of Satan.
Church of Satan encontra-se hoje com um Império enorme de membros no mundo todo, com Grottos espalhados por todo o mundo, incluindo inúmeros Magisters, Reverendos, Warlocks, e Agentes.

[1] "Grotto" significa "base" ou "assembléia" local.
 
Aleister Crowley



Edward Alexander Crowley, ou melhor, Aleister Crowley, nascido em Lemington, Inglaterra, em 12 de outubro de 1875, falecido em Netherwood, Hastings, em 1 de dezembro de 1947, se não foi um dos maiores ocultistas do séc. XX, foi pelo menos um dos mais controvertidos.

Filho de Família puritana, foi criado na seita dos Irmãos de Plymouth. Desde cedo combateu o Cristianismo, e em 1898 iniciou-se na Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada) que teria uma grande influência na sua vida e na sua obra, assim como na de seu secretário e discípulo Israel Regardie.
Com a morte da mãe, Crowley recebe como herança 40.000 libras. Dinheiro que financiaria as aventuras de sua vida; e quando o dinheiro se extinguiu, Crowley utilizou o dinheiro de diversos benfeitores, entre amigos, discípulos e amantes, que sustentariam seu luxo e suas exentricidades.
A Golden Dawn foi, em muitos aspectos, principal (e talvez o único) ramo do Rosacrucianismo nos últimos 15 anos do séc. XIX. Foi fundada por quatro membros da S.R.I.A. (Societas Rosicruciana in Anglia) - S. L. Mac Gregor Mathers, W. W. Westcott, Woodman e Woodford, segundo manuscritos vindos da Alemanha, fornecidos por uma tal Ana Sprengel. Desenvolveu-se em seu seio estudos aprofundados de Tarot e de Qabalah, assim como de magia.
A espinha dorsal da Golden Dawn era formada pelos ensinamentos mágicos herdados da Idade Média, Eliphas Levi, Francis Barret e John Dee, entre outros, além da mente brilhante de Mac Gregor Mathers que montou e organizou todos os rituais e graus da Ordem, chefiando-a inicialmente com os outros três, e mais tarde sozinho, até a dissolução da Ordem em 1900.
Mesmo após sua saída da Golden Dawn, Crowley continuou divulgar os conhecimentos que lá aprendera, seja na Astrum Argentum, ou na O.T.O. (Ordo Templi Orientis), ou mesmo nos volumes do Equinox.
Ao entrar na Golden Dawn, Crowley foi apadrinhado e instruído por Alan Bennet (Frater Iehi Aour). Assumiu o nome de Frater Perdurabo (Perdurável) e tornou-se amigo íntimo de Mac Gregor Mathers, a tal ponto que trocou seu nome pelo de Aleister Mac Gregor, querendo com isso indicar um possível laço familiar. Junto com Mathers combateu a W. Yeats, que pretendia (e mais tarde conseguiu) dividir o comando da Golden Dawn e assumir o Templo de Ísis Urânia, o principal de Londres.
A habilidade de Crowley para a magia e o ocultismo eram tais que em 1 ano, ele já dominara todos os chamados Graus Externos da Golden Dawn, causando inveja de outros membros, que recusavam-se a lhe aceitar nos Graus Internos da Ordem. O artifício de mudar o nome para Aleister Mac Gregor foi também um meio de franquear-lhe as portas para esses graus.
Aqui podemos adicionar o progresso feito por ele na Golden Dawn:

- Adeptus Minor 5º=6º Janeiro de 1900;
- Adeptus Major 6º=5º Abril de 1904;
- Adeptus Exemptus 7º=4º 1909;
- Magister Templi 8º=3º Dezembro de 1910;
- Magus 9º=2º Outubro de 1915.


Em 1905, porém, Crowley e Mathers se separaram de um modo não muito amigável. Em 1904, enquanto viajava pelo Egito com sua esposa (Rose Kelly), que tinha o dom da vidência, passam três dias (8, 9 e 10 de abril de 1904), ela ditando, e ele escrevendo, o seu evangelho, ditado pelo espírito de Aiwas (Segundo Crowley, ministro de Hoor-paar-Kraat, ou Harpócrates, pelos Gregos) conhecido pelo nome de “O Livro da Lei”.
Ainda em 1905, Crowley fundou a A:. A:. (Astrum Argentum), Ordem ocultista que segue os moldes da Golden Dawn, embora sem o mesmo sucesso.
A primeira menção feita ao Livro foi apenas em 1927 e sua primeira publicação em 1938, e os detratores de Crowley se utilizam deste argumento para dizer que ele buscava dar a obra uma antiguidade que não era real. Porém, a introdução original do Livro da Lei é assinada por O.M. e leva o selo da Golden Dawn (Aurora Dourada) e a firma ali corresponde a de Mac Gregor Mathers e nesta época Crowley ainda mantinha relações afins com a Ordem.
Em 1912 foi convidado por Teodore Reuss, Grão Mestre da O.T.O. desde 1905. A idéia inicial era que Crowley organizasse os Graus Superiores da Ordem e liderasse a Região da Irlanda, Iona e as Ilhas Britânicas. Crowley aceitou de bom grado, uma vez que a Astrum Argentum tinha poucos membros e a O.T.O. já possuía uma fama internacional, o que lhe permitiria atingir um número muito maior de pessoas com seu “evangelho da vontade e do amor”. Permaneceu na O.T.O. até 1921, quando houve uma ruptura na O.T.O., causada pela influência do Tantra Yoga (ou Magia Sexual) no 9º Grau da Ordem, que agradava a uns e desagradava a outros.
Entre 1938 e 1943, Crowley uniu-se a Lady Frieda Harris para corrigir e atualizar o Tarot Medieval. O trabalho que inicialmente deveria durar 3 meses, acabou se estendendo por 5 anos.
A primeira edição do Tarot de Crowley foi feita por Carr Collins e a sua Fundação do Santo Graal, apenas em preto e branco. Em 1969 um editor de livros de ocultismo lançaria a primeira edição em cores, mas de péssima qualidade. Apenas em 1979 é que o Tarot foi publicado com o padrão de qualidade requerido para um trabalho desta natureza.
Crowley faleceu em 01/12/1947, pobre e doente, enfraquecido por seus excessos com a bebida e drogas. Chamado pela imprensa de "O Homem Mais Perverso do Mundo", deixou a todos os seus inimigos e admiradores "uma obra de imenso valor", senão pelo conhecimento, talvez pelo esforço, de um homem que dedicou sua vida inteira ao estudo do oculto e da Magia. Crowley assumiu ao longo de sua vida, uma enorme quantidade de nomes e títulos que atribuía a si mesmo. Seguem abaixo alguns dos principais nomes por ele utilizados:
- Conde Vladimir Svareff;
- Master Therion;
- Príncipe Chioa Khan;
- Baphomet;
- Frater Perdurabo;
- Aleister Crowley;
- Aleister Mac Gregor;
- Lorde Boleskini.

Frases de Crowley

“Cada carta é, em determinado sentido, um ser vivo, e suas relações com as vizinhas são o que poderia-se chamar de diplomáticas. Ao estudante cabe a tarefa de incorporar estas pedras vivas a seu templo vivente” - O Livro de Toth.
“A Magia é a Arte ou a Ciência de causar mudanças com a Força de Vontade” - O Livro de Thoth.
“Há de se considerar a popularidade pueril do cinema, o rádio e os prognósticos esportivos; as competências da adivinhação e todas as invenções; úteis apenas para satisfazer aos caprichos de algumas crianças mal-criadas que carecem de vontade, de sentido e de propósito” - O Livro da Lei.
“Invoca-me sob as estrelas! O Amor é a Lei, o Amor antes do querer. Que nem os tontos equivoquem o Amor, porque há amor e Amor, existem a pomba e a serpente. Escolha Bem” - O Livro da Lei.
“A Lei é feita da tua vontade. A Lei é a do Amor, o amor sob tua vontade, não há mais a Lei; faça a tua Vontade” - O Livro da Lei.
“...A caligrafia do Livro deve ser firme, clara e bela. Na fumaça do incenso é difícil ler os conjuros. E enquanto tenta ler as palavras por entre a fumaça, ele desaparecerá, e terás de escrever aquela terrível palavra: Fracasso.
Mas não existe nem uma só folha do livro na qual não apareça esta palavra; mas enquanto é seguida por uma nova afirmação, ainda nem tudo está perdido, já que desta maneira no livro a palavra Fracasso perde toda a sua importância, da mesma maneira que a palavra êxito não deve ser empregada jamais, porque esta é a última palavra que deve-se escrever no livro, e é seguida por um ponto.
Este ponto não se deve escrever em nenhum outro lugar do livro; porque o escrever neste livro segue eternamente; não há forma de encerrar este diário até que haja alcançado a meta. Que cada página deste Livro esteja repleta de música, porque é um Livro de Encantamentos!”.
O homem mais perverso do mundo

Dentro do mundo do ocultismo, por vezes, ganharam renome especial pessoas que, pelos seus estudos e investigações, se destacaram em tão árido e enigmático campo. Noutras ocasiões foram os seus praticantes, os magos, os bruxos etc., que ganharam uma significativa popularidade, tanto pelos seus escândalos, como pela sua singular personalidade. Tal foi o caso do inglês Aleister Crowley, recordado no mundo da magia e do esotérico como um ser aberrante, ainda que dotado de um extraordinária talento para as Ciências Ocultas.
Crowley rompeu com todos os moldes ritualísticos então estabelecidos. Se, por um lado, procurou assimilar os conhecimentos clássicos mais diversos, por outro, não hesitou em melhorar tais práticas, introduzindo fórmulas novas e praticando a Magia Verde até níveis que raiavam a obsessão erótica. Foi muito criticado, atacado e caluniado, porém não perturbou. Inclusivamente, encontrava certo prazer em ser o alvo do ódio de uma sociedade que considerava caduca e atrasada. Isso ajudava, além disso, a realçar a sua enigmática figura de mago, posto que ele próprio tinha adoptado os nomes de "o homem mais perverso do mundo" e "a Grande Besta 666" (fazendo referência, com este número, ao Anticristo do Apocalipse).
Para compreender, em parte, a atuação e mentalidade desta mago que, apesar dos seus extravios, raiou o genial, penetrando nos planos mentais e mágicos, nos quais ninguém tinha ousado encontrar antes, há que recordar que nasceu em 12 de Outubro de 1875, o ano em que Helena P. Blavatsky e o seu companheiro, o coronel Olcott, fundavam, em Nova York, The Theosophical Society (A Sociedade Teosófica). E por aquela época achava-se em pleno auge o movimento espiritista em todo o mundo. As irmãos Fox assombravam com as suas experiências e as investigações de William Crookes sobre o Espiritismo eram seguidas com grandes interesse pelo público, enquanto as seitas e as sociedades secretas abundavam por todas a parte e havia poucos meses que tinha falecido o francês Éliphas Lévi, autor de vários livros de magia, entre os quais se destaca Dogma e Ritual da Alta Magia.
Crowley veio ao mundo num período de enorme efervescência místico-esotérica, num momento em que a intensa inquietação pelo secreto e pelo oculto alcançava quotas muito elevadas. Abundavam as seitas revolucionárias, os textos teosóficos, os escritos sobre missas negras, os escândalos dos grupos espiritistas e a propagação de doutrinas orientais. Crowley escolheu este mundo e desprezou tão publicamente quanto pode o falso puritanismo que até então havia sido o espelho da sociedade inglesa e, em parte, ocidental. Nesse marco mágico-espiritual desenvolveu-se a personalidade de Crowley, rebelando-se contra todas as normas sociais e religiosas, até ao ponto de ele próprio acreditar ser "A Grande Besta".
O verdadeiro nome deste singular mago era Edward Alexander Crowley e nascera em Leamington, Warwickhire (Inglaterra). Mas, em 1895, quando tinha vinte anos de idade, decidiu desligar-se do seu nome de origem, que considerava pouco menos que uma estupidez familiar, e adoptou o sobrenome de Aleister (na realidade de Alistair, a forma gaélica de Alexander), com o qual seria mundialmente conhecido.
No Verão de 1898, Crowley partiu para a Suíça, para fazer alpinismo, de que gostava tanto como de escrever poemas. Em Zermatt (Alpes suíços), conheceu um inglês chamado Julian L. Baker, estudioso dos fenómenos ocultistas. Ambos os homens tinham conhecimentos alquímicos e logo travaram uma forte amizade, unidos pelos seus conhecimentos esotéricos.
De regresso a Londres, Baker apresentou Aleister a um jovem químico chamado George Cecil Jones, que era membro da sociedade mágica denominada Hermetic Order of The Golden Dawn (Ordem Hermética da Alva Dourada). Esta nova amizade ia ser decisiva para o inquieto Aleister, pois através dela ia penetrar nos verdadeiros arcanos da magia.
Golden Dawn era uma sociedade secreta dedicada ao ensino da magia entre um grupo de pessoas selecionadas. Supunha-se que esta sociedade era depositária de segredos que se atribuíam a Hermes Trismegisto. Segundo parece, nas suas remotas origens era uma irmandade de rosacrucianos, que mais tarde derivou completamente para as práticas mais diversas. Cerca de 1850, com a morte de alguns dos seus membros mais notáveis, a sociedade pareceu eclipsar-se, mas cobrou novo alento na década dos 80.
Na sua primeira etapa, a Golden Dawn contou entre os seus sócios ocultistas tão famosos como Éliphas lévi, Ragon, Kenneth R. H. Mackenzie e Fred Hockley. E dos membros dessa segunda época há conhecidas e importantes como o poeta W. B. Yeats, o escritor de temas sobrenaturais, Algernon Blackwood, o literato do mundo do horror e do inexplicável, Arthur Machen, Bram Stocker (o criador literário de Drácula), a atriz Florence Farr, o ocultista Dion Fortune, Austin Osman Spare, Allan Bennett, Samuel Liddell MacGregor Mathers, William Wynn Westcoot e Sax Rohmer.
Em 1884, a sociedade entrou na posse de um misterioso manuscrito que foi decifrado por S.L.MacGregor Mathers que sucedeu a W.W.Westcott, uma autoridade da Cabal, como cabeça visível da Golden Dawn. Mathers traduziu e publicou em inglês As Chaves de Salomão e O Livro da Magia Sacra de Abra-Melin o Mago.
Foi nesta ordem que Aleister Crowley se iniciou na Alta Magia, começando a subir o fantástico, mas também penoso, caminho que o havia de conduzir ao ponto máximo do sobrenatural. Foi aceite como membro em 18 de Novembro de 1898, começando pelo grau zero, como Neophyte.
Tal como sucedia entre os maçons e rosacrucianos, na Golden Dawn havia várias graus de membros e os chefes eram secretos, embora existisse uma cabeça visível da Ordem. A graduação dos membros era a seguinte:

* Primeira ordem:

- Neophyte - grau zero;
- Zelator - 1.º grau;
- Theorius - 2.º grau;
- Practius - 3.º grau;
- Philosophus - 4.ºgrau.

* Segunda ordem:

- Minor - 5.º grau;
- Adeptus Major - 6.º grau;
- Adeptus Exemptus - 7.º grau.


Em dezembro do mesmo ano do seu ingresso, Crowley alcançou o grau de Zelator; depois obteve o de Theoricus e dois meses mais tarde o de Practius.
Em Maio de 1899 era já Philosophus, o que dá uma leve ideia da sua capacidade para assimilar conhecimentos mágicos, pelos quais sentia uma verdadeira obsessão, sobretudo sob o ponto de vista prático. Não havia ritual nem invocação que se não atrevesse a realizar, por muito perigoso e obsceno que o mesmo fosse, especialmente quando escalou os graus da Segunda ordem.
Disposto a cruzar todas as fronteiras humanas e da mente, pensando na "projecção astral", tomou as mais exóticas drogas que, segundo a tradição mágica, "lhe podiam abrir as portas do mundo que se encontrava por trás do véu da matéria". Usou o ópio, a cocaína, o haxixe... E em breve a sua existência de transformou numa série de êxtase, abominações, perversões mágico-sexuais e audácias, desafiando a opinião publica de todos os países que percorreu.
Uma guerra mágica

Na sua procura de novos segredos místicos ou mágicos, Crowley viajou, entre os anos de 1901 e 1902, pela Índia, Ceilão e Egipto. Com enorme quantidade de escritor e apontamentos, tirados dos mais raros grimórios, regressou à Inglaterra, isolando-se nas suas terras de Boleskine, próximo do lago Ness, na Escócia. Tinha ali erigido um templo em que realizava os rituais mágicos prescritos por Abramelin ou Abra-melin na sua Magia Sacra, e que eram imprescindíveis para entrar em contacto com os seres do plano astral ou espíritos superiores.
Pouco tempo mais tarde, quando tinha vinte e oito anos, contraiu matrimónio com uma viúva chamada Rose Kelly. O casal foi em viagem de núpcias a varias cidades europeias, atéue chegou ao Cairo. Uma vez ali, Aleister convenceu Rose a passar com ele uma noite na Câmara Real da Grande Pirâmide. Seguindo rituais ancestrais, evocaram o deus Thot; tiveram estranhas visões e Crowley saiu da Grande Pirâmide convencido que se encontrava no bom caminho para desenvolver os seus poderes mágicos..
O casal prosseguiu viagem até Ceilão, mas, em 1904, regressou ao Cairo, onde alugou um andar inteiro do Museu Boulak. Ali, Crowley realizou uma série de cerimonias magicas para invocar Thot o deus egípcio da magia. E, no meio de estranhas e surpreendentes circunstâncias, uma potência angélica, que dava pelo nome de Aiwass, ditou a Aleister "O Livro da Lei" (The Book of the Law) ou Liber Legis, no qual se prediz a destruição da civilização, tal como o conhecemos, e se proporciona um guia para formar a Nova Era.
Aleister considerava-se o ser eleito para ensinar o novo caminho, a força mágica que havia de servir de archote à nova civilização, mas o seu credo somente foi aceite por uma minoria, embora atualmente os acontecimentos pareçam dar-lhe razão.
Considerando que reunia maiores méritos que MacGregor Mathers para dirigir a Golden Dawn, deu os passos necessários para minar a personalidade daquele. Vendo a ambição de Crowley, Mathers utilizou todos os seus conhecimentos ocultistas para enfrentar o seu rival, e o resultado foi uma terrível guerra mágica entre os dois colossos do ocultismo inglês.
O orgulhoso Mathers depreciou totalmente as revelações feitas pelo Aiwass a Crowley e enviou-lhe, por meio de rituais de Magia Negra, uma série de demónios para o atacaram. Segundo parece, os ditos rituais demoníacos foram tirados por Mathers do livro de Abra-Melin.
O resultado foi que a ninhada de sabujos de Crowley morreu misteriosamente e o seu criado enlouqueceu, tentando matar Rose. Aleister, armado com um arpão de pescar salmões, conseguiu encerrar o demente no sótão, de onde foi retirado pela polícia.
Uma vez recomposto da surpresa desse ataque, Crowley passou à contra-ofensiva mágica. Evocou as forças guetianas, as potências malignas e os quarenta e nove servidores de Belzebu atacaram Mathers na sua residência de Montmarte (Paris). Este defendeu-se com as suas artes mágicas do furibundo ataques dos entes malignos, mas, embora tivesse ficado com vida, até à sua morte já não teve forças para continuar a lutar com "A Grande Besta". S. L. MaGregor Mathers morreu, em 1918, sem ter feito nada de notável naqueles últimos anos. A sua saúde tinha ficado bastante abalada devido ao assalto das forças astrais e demoníacas postas em ação por Crowley. A direção da Golden Dawn passava inteiramente para as mãos de Aleister.
Rose, que era dotada do dom da clarividência, pode "presenciar" o ataque dos referidos entes malignos e descreveu-se a Crowley, que incluiu as descrições de alguns deles na sua obra The Scented Garden of Abdullah, the Satirist of Shiraz ("O Jardim de Abdullah, o Satírico de Shiraz"): Nimorup (espécie de anão de grande cabeça, longas orelhas e lábios a escorrer baba, de um verde bronzeado) e Nominon (uma espécie de grande e esponjosa medusa com uma mancha esverdeada e luminosa, como se se tratasse de uma obscena confusão).
Obras e malefícios de Crowley

Crowley praticou uma forma de magia ao estilo dos Vamacharis, seguidores da "Senda da Mão Esquerda", que efetuavam os seus rituais com mulheres, pois estas pertencem à Lua, à esquerda, Crowley enriqueceu os rituais com práticas sexuais tântricas recolhidas nas suas viagens à India.
Foi tal a sua obsessão pela magia, que se pode dizer que, fora das suas invocações e evocações, Aleister não teve contatos com mulheres. Praticou com elas varios tipos de ritos sexuais; em alguns foi ajudado pela irmã Leila Bathurst, grande secretária geral da O.T.O., que foi a sua "mulher escarlate" (a mulher que encarnava a potência sexual criadora).
Aleister Crowley não só transmitiu uma nova seiva à Golden Dawn, como, em 1905, fundou a AA (Astrum Argentinum), associação cujo mágico pretendia formar profetas.
Crowley introduziu nos seus rituais mágicos algumas invocações gregas e egípcias combinadas com os princípios do yoga. Proclamava que cada pessoa era uma estrela e que o supremo objetivo do oficiante devia ser "transpor o abismo". Sempre defendeu os rituais com poucas pessoas e dizia que aquele que desejasse conhecer a magia devia investigar e experimentar a sós. Afirmava que as "forças ocultas" só inspiravam individualmente profetas, não multidões.
Os ritos dos antigos egípcios e gregos tiveram grande preponderância na magia de Crowley que pretendia ser a reencarnação do sacerdote tebano Ankn-f-n-Khonsu, que viveu durante a XXVI dinastia.
Partidário da reencarnação, Crowley dizia ter tido revelações das suas antigas vidas. Assim, segundo confessa no seu diárioThe magical record of the Beast 666 (O Registo Mágico da Besta 666), tinha sido, o sábio chinês Ko Hsuan (um discípulos de Lao-Tzé), o Papa Alexandre VI, o conde de Cagliostro, o doutor Jonh Dee, Éliphas Lévi... Como Lévi, cujo verdadeiro nome era Alphonse Louis Constant, havia morrido seis meses antes do seu nascimento, Crowley afirmava que o espírito daquele tinha entrado no seio materno no terceiro mês da gestação.
No que refere a Jonh Dee (1527-1608), pelo qual Aleister Crowley teve uma atração especial, seguindo muitos dos seus rituais, foi um famoso astrólogo, matemático e alquimista da corte de Isabel I de Inglaterra. Um dos livros mais curiosos que deixou escrito foi A True & Faithful Relation (Uma Relação Fiel e Verdadeira), que trata dos espíritos e das aparições, publicada em Londres em 1659.
Para as suas predições, Crowley utilizava muitos dos métodos mágicos de Jonh Dee e do seu colaborador Edward kelly, médium e profeta que predisse o trágico final de Maria Stuart e o desastre da Invencível Armada, que a Espanha enviou para a Inglaterra.
É evidente que Crowley misturava os seus rituais secretos antigos com práticas satânicas, muitas das quais não foram tornadas públicas por os seus herdeiros considerarem que o público ainda não está preparado para as compreender. Atribuem-lhe mesmo missas satânicas em que se sacrificavam seres humanos. A informação fidedigna de que dispomos dá a entender que Crowley chegou a realizar algo parecido a uma missa diabólica, tanto pelos seus atos sexuais como pelos animais que sacrificava.
Durante a primavera de 1910, este, obcecado pelo oculto, realizou um extraordinário ritual em invocou Bartzabel, o espírito de Marte, para que viesse em seu auxílio e o ajudasse para que o mundo reconhecesse o seu talento e o seu poder mágico. Na cerimónia foi assistido pela violinista australiana Leila Waddell, a sua "mulher escarlate", durante algum tempo, que também era conhecida por "Laylah" ou irmã Cibeles.
Após um romance com Mary d'Esté Sturges, companheira de Isadora Duncan, Aleister voltou para a sua "mulher escarlate", ideal para realizar rituais sexuais. Juntos foram a Moscovo (1913), para publicamente apresentarem algumas das suas cerimónias esotéricas.
Ao rebentar a primeira Guerra mundial, Crowley partiu para os Estados Unidos, entrando em contato com vários sociedades ocultistas e fundando diversos templos. Os seus rituais depravados começaram a levantar algumas polemicas e a figura da "Grande Besta" adquiriu certa fama. O importante para ele era obter o conhecimento daquilo a que chamava Santo Anjo Guardião, yoga perfeito ou união da alma com o seu secreto manancial. E considerava que o tinha conseguido: para a posteridade deixava O Livro da lei, ditado por Aiwass.
As obras de Crowley, sobretudo The Magical Record of the Beast 666 (O Registo Mágico da Besta 666) e The Magic in Theory and Practique (A Magia na teoria e na Prática) refletem essa inquietude na procura do inacessível, de modo semelhante àquele por que os antigos alquimistas procuravam o elixir da eterna juventude. Cita inúmeros exemplos práticos mágico-sexuais: para criar energia mágica na união homem-mulher, para consagrar os talismãs com rituais autocráticos, para revitalizar o corpo, para materializar os objectos desejados...
O fim de "A Grande besta"

Com o nome de Thelema (o país em que Gargantua, a personagem criada por Rabelais, constrói a sua fantástica abadia), Aleister Crowley fundou em Cefalú (Sicília), uma abadia mágica (1920), na qual realizou os rituais mais singulares, fantásticos e depravados, com as suas seguidoras. Mas as orgias "sagradas" que se celebravam em Thelema, com consumo de drogas para obter a libertação, para facilitar a viagem astral, não duraram muito. Várias das "irmãs" tiveram de ser hospitalizadas e, em 1923, o governo italiano expulsou Crowley, fechando a abadia ocultista, na qual se tinha intentado penetrar nos arcanos das forças astrais sem considerar meios nem barreiras morais de qualquer espécie.
Crowley morreu de uma degeneração miocardíaca com complicação de bronquite cronica na noite de 1 Dezembro de 1947, em Hastings, com 72 anos. A "irmã" Tzaba, que o assistiu nos momentos cruciais ao passar a grande barreira, recolheu as suas últimas palavras, que foram: "Estou perplexo...".
Na quinta-feira, 5 de Dezembro de 1947, os restos do ousado ocultista inglês foram incinerados no crematório de Brighton. Estiveram presentes no funeral alguns dos seus amigos, discípulos e admiradores: Gilbert Bayley, "irmãs" Tzaba e Ilyarun, "irmãos" Volo Intelligere e Aossic, o poeta Kenneth Hopkings...
No final de cerimónia fúnebre na capela do crematório, os seus seguidores entoavam o orgiástico Hino a Pã, escrito pelo próprio Crowley, seguido do Réquiem Gnóstico. O ato levantou os protestos da câmara municipal de Brighton e o responsável do crematória viu-se obrigado a desculpar-se pelo sucedido, prometendo que se tomariam medidas para que no futuro não se voltassem a repetir incidentes daquela natureza.
Como epitáfio, perante o seu túmulo, alguns dos seus fervorosos discípulos cantaram o Hino a Satã, de Carducci, e celebraram uma espécie de missa negra.
As cinzas do corpo físico de Crowley ficaram na terra, na urna do mago, mas o seu espirito, metamorfoseado em ideias e rituais graças às revelações do demônio Aiwass, embora continue a perdurar nas suas obras e entre os seus seguidores, que não são poucos, que continuam a invocar, por meios mágicos, as forças astrais por ele identificadas e tipificadas: as forças ocultas que se encontram por trás do pano de fundo da aparência real do mundo.
 Helena Blavatsky

Helena Patrovna Hahn Fadéef nasceu em de Ekaterinoslav, Rússia, em 1831 e faleceu em 1891. Era teósofa e escritora. Filha do coronel Pedro Hahn, da família nobre germânica Macklenburg e de Helena Fadéef Princesa Dolgorouki da nobreza imperial Russa.

Se mostrava uma mulher independente desde a sua infância. Onde também se destacava sua inteligência e sua extraordinária capacidade psíquica. Teve uma educação completa, era pianista, possuía habilidade lingüista e literária que era característica de sua família. Esteve na França e Inglaterra em 1845 e em 1848; aos 17 anos casou-se com o general Nicephore V. Blavatsky, 51 anos, governador de Etivã. Mas o casamento durou poucos meses, ela fugiu de casa. Pouco depois, com a ajuda de seu pai, viajou para Constantinopla, Ásia Menor, pelo tempo necessário para que a separação matrimonial se torna-se legal. No Egito, conheceu um mestre copta, que a iniciou nas ciências ocultas. Em Londres, em 1851, reunida com o seu pai, recebeu a missão de um mestre hindo, de fundar uma sociedade espiritualista de grande transcendência. A partir dai ela começou então seus anos de peregrinação e aventuras sempre contando com a ajuda de seu pai e herança de uma tia. Neste tempo ela aprendeu a controlar e desenvolver suas forças psíquicas através de inúmeras experiências extraordinárias.
Em 1851, fez sua primeira viagem de circunavegação; passou por Canadá, Estados Unidos (N. Orleans, Texas), México, Peru (Callao), Índia (Bombaim), Ceilão e Nepal. Tentou entrar no Tibete, mas sua tentativa foi frustrada. Conheceu também as colônias holandesas (Java, Bornéu) e Singapura. Em 1853, iniciou sua segunda volta ao mundo, que terminaria em 1858. Passou por Inglaterra (Londres), EUA (Chicago, São Francisco, onde permaneceu dois anos), Japão (Yokohama), Índia (Caucutá) e novamente tentou visitar o Tibete; depois Alemanha e França.
O período de 1858 até 1867 foi um dos mais obscuros de sua vida. Residiu com a família no Cáucaso e na Ucrânia. Em 1863 foi à Itália e provavelmente durante 1863 e 1864 viajou através da depressão caspiana do Ural e o Embal, região dos lagos Kirguises do Aral e o Turnir e Balkach. Finalmente conheceu o Tibete, onde permaneceu um certo tempo com mestres tibetanos que lhe deram sua iniciação. Depois foi para o Cairo, Palestina e Grécia, onde foi ferida ao lado de Garibald na batalha de Mentana, em 1867. Em seguida viajou para a Rússia (Odessa) e França (Paris), onde pela primeira vez tentou fundar uma sociedade ocultista, em 1872.
Do ano de 1872 a 1879, viajou para Nova York, onde conheceu o movimento espírita (Irmão Eddy) onde tentou explicar os fenômenos paranormais e seu ponto de vista ocultista.
Em 17 de novembro de 1875, depois de muitos fracassos e um grande período de preparação, fundou com o coronel Henry S. Olcott e outros amigos a Sociedade Teosófica (The Theosophical Society).

Do ano de 1879 ao ano de 1885, viajou à Índia com o coronel Olcott. Estabeleceu os primeiros fundamentos sólidos de seu trabalho em Bombaim e Adyar. Sofreu ataques da Society For Psychical Research de Londres, do casal Coulomb e das missões Anglicanas de Bombaim e Madras.
Apartir de 1887, passou a residir em Londres. Este período é o mais "brilhante" de sua vida. Helena recebeu ajuda a inspiração de seus mestres Koot Hoomi, que era seu principal mentor, e Morrya, ambos inspiradores da Sociedade Teosófica, e de Hilarion, para inspiração de seus textos narrativos. Seus mestres a chamavam de Upasika. Na Rússia era conhecida pelo seu pseudônimo literário, Radha Bai.
O senhor Cyril Scott a considerava uma reencarnação de Paracelso. Hoje ela é muito conhecida pelo nome Helena Petrovna Blavatsky.
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Bíblia Satânica

A Bíblia Satânica (The Satanic Bible) é um livro escrito pelo satanista Anton LaVey em 1969. Contêm uma coleção de ensaios, observações e rituais mágicos que formam a base do Satanismo de LaVey que enfatiza Satã como uma força da Natureza.

Na introdução do livro, LaVey opina contra algumas práticas ocultistas:

Este livro foi escrito porque, com muitas poucas exceções... Escritor após escritor, no esforço de apresentar os princípios da “magia branca e negra”, tiveram sucesso em obscurecer o conjunto em questão tão prejudicialmente que o estudante de magia dá asas a estupidez, empurrando uma prancheta sobre uma tábua de Ouija, ficando em pé dentro de um pentagrama esperando um demônio se apresentar a ele, facilmente lançando I-Ching de modo pomposo como muitos antigos pretensiosos... em geral fazendo papel de tolo para si aos olhos daqueles que realmente conhecem. (Prefácio do livro A Bíblia Satânica)

A Bíblia Satânica revela o verdadeiro satanismo e despreza técnicas ocultistas onde o satanista se protege contra a entidade que irá invocar. Os denuncia como pretensos satanistas, mas não conhecem realmente. Afirma que um satanista verdadeiro não se esconde por detrás de um pentagrama e revela o que um satanista de fato não faz preces de invocação e não invoca uma entidade como se faz nos terreiros e ainda o denomina seu "Santo". Esclarece que os tais são satanistas, mas sob uma capa de "magia branca" que os torna meros repetidores de dogmas do cristianismo, sem o serem. A esses, o verdadeiro satanista escarnece, pois o a Bíblia Satânica afirma dos tais que eles temem invocar entidades infernais, apenas invocando espíritos que podem ser aprisionados, quando o verdadeiro satanista não aprisiona ou se protege da entidade que invoca, ele vive em comunhão com a mesma.

A Bíblia Satânica relata que “Lúcifer ascendeu”, mais uma vez para proclamar que "esta é a época de Satã!” e que “mostrará que a salvação do homem depende da sua própria contradição”. Afirmando que essa é uma revelação do que denomina a “Palavra da Matéria” e elucida que a vida é uma “preparação para todo e qualquer deleite eterno”.

Denúncia infernal

No Livro, Satã faz a "Denúncia Infernal", onde afirma que “O demônio tem sido atacado pelos homens de Deus” e que “nunca há uma oportunidade... para o Príncipe das Trevas responder do mesmo modo”, além de denunciar que, sem seu “satânico inimigo”, as várias religiões que professam Deus “entrariam em colapso”.

Continua a denúncia afirmando:

“Nestes séculos todos de maledicência que o Demônio tem recebido, ele nunca revidou seus infamadores... mas agora ele sente que é hora de replicar”.

Conclama à leitura e aprendizado da sua “Lei”.

Livro de Satã

Entre os livros da sua "Lei", apresenta o livro de Satã, onde na Parte I discorre onze itens que estabelece dogmas como: “Morte ao fraco, saúde ao forte!”, e proclama a força de Satã: “escute-me que confundirei multidões extasiadas!”; e estabelece como enfrentará o combate contra Deus, afirmando que irá “questionar as leis do homem e de Deus!"

"Eu exigirei as razões da sua regra de ouro e perguntarei a origem e a finalidade dos seus dez mandamentos”.

LaVey revela que o satanismo puro vai além de rituais com pentagramas e se contrapõe a toda forma de adoração. Estabelece o Livro de Satã:

“Aquele que disser que você precisa se curvar a mim é o meu inimigo mortal!”

Satã insulta aos cristãos e o seu Cristo:

“Eu mergulhei o meu dedo indicador no sangue úmido do seu impotente e louco redentor, e escrevi na borda da sua coroa de espinhos: O verdadeiro príncipe do mal - o rei dos escravos!”

O livro de Satã estabelece que “todas as convenções” que bloqueiam o sucesso de Satã foram “bloqueadas”. E declara que já foi vitorioso contra Jesus, a quem chama Jeová, declarando:

“Eu olhei abismado o olho vítreo do seu apavorante Jeová, e arranquei-o pela barba; eu elevei o machado das cinzas e abri um caminho na sua caveira comida de vermes!”

Na parte dois afirma que o crucifixo simboliza incompetência, e “questiona os dogmas morais”. Ensina como o satanista deve proceder: 

“Nenhum credo deve ser aceito sobre a autoridade de uma "divina" natureza. Religiões devem ser colocadas em debate. Nenhum dogma moral pode ser tomado como absoluto.”

A dica para o satanista é que os dogmas foram criado pelo homem e “aquilo que o homem pode criar, o homem pode destruir!”

Estabelece uma obrigação ao satanista: “Ascender o novo homem... para levá-lo ao sucesso material”.

Afirmando ser seu oponente os dogmas do cristianismo e os dogmas morais, o que classifica como “mentira”. Esclarece qual o combate mais difícil de vencer: 

“A mentira que tem sido inculcada na criança desde pequena no joelho da mãe - é mais perigosa de combater do que contra a sorrateira pestilência!"

Na Parte III do livro de Satã, estabelece questionamentos:

"Por que eu não deveria odiar os meus inimigos [?]... Não somos todos nós animais predatórios por instinto? Se os homens pararem de depredar os outros, eles poderão continuar a existir?... não é a desprezível filosofia da pessoa servil que vira as costas quando chutado? E conclui com princípios: “Odeie seus inimigos... atinja-o dilacerando e desmembrando-o, pois autopreservação é a lei suprema! Quem mostra a outra face é um cão covarde!”

Na Parte IV do livro de Satã, proclama contra existência de um “céu de glória radiante” e contra a existência de um “inferno onde os pecadores queimam”, e adverte:"Aqui e agora é nosso dia de júbilo!" Reafirmando que não há um redentor vivo, pois segundo Satã, o homem deve dizer: "Eu sou o meu próprio redentor".

Na Parte V faz um arrazoado sobre bênçãos e maldições. Onde abençoa os “fortes”, e amaldiçoa os “submissos na honradez... que serão pisados sobre a representação de Satã!”; abençoa os “vitoriosos”, e amaldiçoa os “pobres de espírito”; abençoados os “destruidores da falsa esperança” afirmando que “eles são os verdadeiros Messias”, e amaldiçoa os “adoradores de Deus”; abençoa os “valentes” e amaldiçoa os que acreditam existir o “bem e o mal”; abençoa os que “pensam no que é melhor para si” e amaldiçoa as "ovelhas de Deus". Segundo o livro os amaldiçoados ficam na posição “daqueles que ensinam mentiras por verdades e verdades por mentiras”, e os abençoados são os que tem uma “mente poderosa”.

Conclusão: Jesus Cristo está voltando e todo aquele que se achar em tais praticas e não se converter as praticas do amor a Deus e a Cristo Jesus já estão condenados.