segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Diante das autoridades e de Deus.


Sl 131; Pv 25. 2 - 10; Hb 13. 1 – 17; Lc 14. 1 - 14

“Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades.” (Pv 25. 6 – 7)

Salomão durante seu reinado pronunciou muitos provérbios. Os ditos populares de Salomão deram origem ao livro de Provérbios e, é maravilhoso podermos meditar nas palavras “Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades.” Por que essas palavras são importantes e necessárias se estamos vivendo tantos outros problemas? A verdade é que a atual conjuntura nacional na qual estamos inseridos nos confunde e massacra.

Anos atrás, em 2007, foi divulgada uma pesquisa transformada em livro com o titulo: “Perfil dos Brasileiros.” A pesquisa relatou sobre qual é o pensamento dos brasileiros sobre, sexualidade, corrupção, política, jeitinho brasileiro, etc.

Salomão é conhecido pela sua sabedoria. Diferentemente de tantas outras pessoas inteligentes, Salomão fez uso da sua sabedoria para benefício de todas as pessoas, não somente para si próprio. Com sua sabedoria apurada, observada em seus provérbios, sempre conduziu as pessoas a uma reflexão prática.

Qual é o lado prático dessas palavras“Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades?”Salomão está tratando sobre nossa atitude perante os outros.

Prática vem de experiência. E quando Salomão diz: “Não te glories na presença dos reis...” o faz por experiência própria, por ser rei. Ele sabia que muitas pessoas ao se aproximar dele, engrandeciam-se para fazer-se e se sentir importante. Ao dizer essas palavras na rua ou no seu palácio queria dizer às pessoas que desejavam ser o centro das atenções para que se colocassem no seu lugar.

Na época de Salomão as pessoas gostavam de encher o seu próprio balão. As pessoas gostam de puxar sardinha pra tudo o que é seu. O meu é o melhor. Eu sei tudo. Já vi de tudo. Posso falar sobre o assunto. E em muitas situações, essas frases não são para ajudar, na verdade, servem para humilhar o outro e exaltar a si mesmo.

As palavras “Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades” (Pv 25. 6 – 7) confrontam a humildade e a exaltação.

Pessoas egocêntricas, ou seja, que gostam de ser o centro das atenções, cedo ou tarde passam por alguma humilhação. Esse tipo de pessoa se expõe demais e acaba se perdendo. No entanto, vale lembrar que o egocêntrico sofre. Sofre por ter que manter uma postura que não é a dele. Muitas vezes precisa viver de aparências para manter a aparência. E sendo assim, o egocêntrico precisa de ajuda. E para ajudar, Salomão diz: “Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades.” (Pv 25. 6 – 7).

As palavras de Salomão nos fazem lembrar sobre o que Jesus disse conforme apresentado pelo evangelista Lucas 14. 1, 7 – 14. Jesus acha feia a atitude dos convidados que escolhiam os primeiros lugares e sentencia “pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11).

“Não te glories na presença dos reis” – são palavras de Salomão, mas sendo inspiradas pelo Espírito Santo foi retransmitida pelo verdadeiro conhecedor da mesma, Jesus.

Ao contar a parábola dos primeiros lugares, Jesus chama a atenção para a atitude perante o próximo e além disso chama a atenção para a nossa postura perante Deus.

“Não te glories na presença dos reis” - Jesus era o rei dos reis. Fariseus, saduceus e líderes religiosos não o reconheceram como tal. Como dito pelo evangelista João “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11).

As pessoas se mostravam importantes perante Jesus e se exaltavam de maneira tal que muitas vezes foram repreendidos. O evangelista Mateus narra um episódio em que os discípulos estavam discutindo sobre quem era o maior no reino de Deus. Mateus diz que Jesus coloca no meio deles uma criança para lhes ensinar que: “...aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus” (Mt 18.4). E como reprovação aos fariseus Jesus disse que “os sãos não precisam de médico, e sim os doentes” (Mt 9.12).

Mesmo Jesus tendo ensinado muito sobre humildade, os judeus continuavam se exaltando. E essa exaltação aconteceu diante da humilhação do Filho de Deus ao ocupar nosso lugar na cruz. Diante da cruz, os que se exaltavam diziam: “salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido...Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lc 23.35 - 37). Até mesmo um ladrão se exalta dizendo: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também” (Lc 23.39).

Assim como as pessoas se engrandeciam perante os homens, muitos se engrandeciam perante o próprio Deus, querendo ser importante perante o homem mais importante do mundo. Aquele que estava morrendo na cruz para exaltar a humanidade pecadora foi despedido com exaltação das pessoas sem poderem ter com que se exaltar.

A falta de humildade não é algo novo. Desde a queda em pecado o ser humano busca se exaltar sobre o outro.

Davi, homem importante, tentando manter a aparência, tentou esconder seu pecado mandando Urias na linha de frente da batalha para ser morto. A mãe de Tiago e João pediu a Jesus “...que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda” (Mt 20.21).

Não menos orgulhoso é o fariseu da parábola contada por Jesus. Ele agradecia por não ser como os demais homens. Não era ladrão, não era injusto, não era adúltero, jejuava duas vezes por semana, dava o dízimo. Era o “cara” da época.

Muitos que ouviram a parábola contada por Jesus desejaram por um momento ser como esse fariseu. Ele era importante, cumpria a lei de Deus, aparentemente uma boa pessoa, ninguém tinha moral para repreendê-lo. De um lado um homem exaltado.

Do outro lado, um homem aparentemente humilhado. Cabeça baixa, rejeitado pelos fariseus. Humilhado, apenas dizia: “querido Deus, meu pecado é grande, me perdoa, sou pecador.”

Era o famoso, “Zé Ninguém.” Um coitado. A plateia, composta por muitos fariseus, estava se sentido superior a todos os demais. E é ai que entra a preciosa lição de Jesus. Ele exalta o publicano.

Talvez você esteja surpreso, assim como ficou surpresa aquela plateia.

A reação deve ter sido de revolta. Talvez indagaram Jesus dizendo que “não é possível.”

Milhares de pessoas em seu orgulho não estão de fato certos que Jesus veio para buscar e salvar o perdido. Vivem suas vidas tentando agradar a Deus e fazer disso um ato de barganha com Deus.

Jesus ensina para todos os que querem se exaltar perante ele que isso não é possível. “Não há justo, nem um sequer,” (Rm 3.10). Não salvamos a nós mesmos pela lei ou pelas obras. Para que a nossa salvação fosse possível foi necessário como diz João: “o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como unigênito do Pai” (Jo 1.14).

A humildade é importante e necessária. Principalmente ao reconhecer os nossos pecados e implorar o perdão de Deus. Deus, em Jesus, atende o nosso pedido e nos perdoa.

Jesus foi humilde para resgatar a todas as pessoas, inclusive os orgulhosos. Os egocêntricos também são alvos do amor de Deus em Jesus.

Com as palavras de Salomão “Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe dêem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades” e com as palavras de Jesus “pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11) fomos conduzidos a refletir na nossa postura diante de Deus e do próximo.

Nossa postura precisa ser de Humildade. Humildade para nos reconhecer pecador diante de Deus. 

E Humildade no trato com o próximo. 

Amém!