terça-feira, 17 de março de 2015

A OBRA RECONSTRUTORA DO ESPÍRITO SANTO


Zacarias  4

Zacarias foi um dos últimos profetas do VT. Iniciou seu ministério por volta de 520 a.C. tendo como público alvo os israelitas que, por permissão de Ciro, rei persa, haviam voltado do exílio e obtido a autorização para reconstruírem os muros de Jerusalém e o templo. Para entender melhor esta reconstrução precisamos ler também os livros de Esdras, Neemias e o livro de Ageu, que é contemporâneo de Zacarias.

Zacarias escreveu nosso texto na certeza de que Deus estava efetivamente interagindo com ele:despertando (v. 1), indagando para estimulá-lo a ter uma percepção clara da realidade que estava à sua volta (v. 2-3), esclarecendo pacientemente a visão que lhe dera (v. 4-14). Na sua visão Zacarias percebeu um candelabro (v. 2), um vaso de azeite (v. 2) e duas oliveiras (v. 3). Sem entender o significado (v.4) ele pediu explicação ao anjo que, a princípio respondeu com uma pergunta (v. 5) e na sequência começou a falar sobre o Espírito Santo (v.6-11). Na resposta do anjo somos colocados diante de outro personagem que trem papel central no texto: Zorobabel – governador nomeado por Ciro para liderar a reconstrução do templo de Jerusalém. Neste primeiro momento, podemos desde já afirmar que o candelabro é Israel responsável para levar por seu testemunho a luz de Deus às nações, o azeite é o Espírito Santo que fornece a luz de Deus para Israel e as duas oliveiras são Zorobabel, líder da reconstrução física, e Josué, líder da reconstrução espiritual.

Assim como Deus interagiu com Zacarias Ele interage hoje conosco despertando-nos, falando conosco, chamando-nos para uma caminhada de reconstrução das nossa vidas. Da mesma forma que o Espírito Santo produziria a reconstrução de Jerusalém, o Espírito Santo é o único que pode produzir a reconstrução de nossas vidas. Como é, efetivamente, A OBRA RECONSTRUTORA DO ESPÍRITO SANTO?

I – A OBRA RECONSTRUTORA DO ESPÍRITO SANTO É UMA OBRA QUE EXTRAPOLA O PODER HUMANO (v. 6 Prosseguiu ele e me disse: esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”)

O anjo disse ao profeta Zacarias que a história de Israel seria transformada “não por força ou poder” mas pelo Espírito: de forma didática ele assegurou que os movimentos do Espírito não são determinados pela forças humanas, sejam elas da política, ciência, filosofia, economia, nem pelo poder humano militar ou religioso.... Assim, aprendemos que não basta saber que o Espírito age, é necessário saber como Ele age e como Ele não age.

Em nome do Espírito líderes mundo a fora têm distorcido, ignorado e até mesmo negado a Palavra do Espírito que são as Escrituras Sagradas, conduzindo multidões a um cristianismo humanista, à divisão de igrejas, ao estabelecimento de feridas que não têm sido devidamente curadas.... Vivendo neste contexto precisamos hoje ouvir a palavra do dita a Zorobabel: “não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”

II – A OBRA RECONSTRUTORA DO ESPÍRITO SANTO É UMA OBRA QUE LEVA À SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS (v. 7a “Quem és tú, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina....”)

Zorobabel, na liderança da reconstrução do templo de Jerusalém teve que enfrentar “grandes montes”:

* o estado crítico da cidade (Ne 1:3 “.... os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas”);

* a oposição dos vizinhos de Jerusalém (Ed 4) – tentaram fazer uma parceria apenas para desestabilizar a reconstrução (v.1-3), semearam desânimo entre o povo (v. 4), buscaram conselheiros que os ajudassem na estratégia de levar ao fracasso a obra (v. 5), formalizaram acusações através de cartas que foram espalhadas entre as nações (v. 6-16), através de manipulação conseguiram que o rei Artaxerxes determinasse a paralização da obra (v.17-24);

* a desagregação natural provocada pelo exílio:predominava entre o povo o pessimismo e a desconfiança.....

Diante destes grandes montes, segundo Esdras 5:1-2, movido pela profecia vinda do Espírito comunicada por Ageu e Zacarias, Zorobabel retomou as forças, motivou o povo e reiniciou a construção, transformando “o grande monte em campina”!

Talvez você esteja hoje enfrentando um grande monte: uma grave instabilidade profissional, uma ferida relacional que parece incurável, uma crise no passado que você nunca conseguiu superar, uma desagregação familiar que o fragiliza, uma limitação física, uma impotência acadêmica, uma incerteza emocional crescente...., seja qual for seu monte, ouça a Palavra do Espírito dita a Zorobabel e a você: “quem és tú, ó grande monte? Diante de você ele será apenas uma campina”!

Como comunidade da fé enfrentamos hoje grandes montes: superficialidade devocional – apesar das tentativas de mudança alguns irmãos ainda restringem sua comunhão com Deus às orações antes das refeições e ao deitar;superficialidade relacional – apesar dos esforços feitos no sentido de conectar o domingo aos demais dias da semana ainda temos irmãos participantes do cultos dominicais que não estão integrados nos grupos do meio semana, e, igualmente, irmãos integrados nos grupos do meio da semana que não estão envolvidos com os cultos dominicais; a indiferença evangelística – pessoas estão vivendo e morrendo sem Jesus à nossa volta sem uma reação efetiva nossa de testemunho; a irrelevância social – será que se a nossa igreja, abruptamente, for tirada de onde foi plantada fará efetivamente falta?... Seja qual for nosso monte, ouçamos a Palavra do Espírito dita a Zorobabel e a nós: “quem és tú, ó grande monte? Diante de nós ele será apenas uma campina”, bem como a palavra dita por Jesus aos discípulos quando não conseguiram expulsar um demônio - “... Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte – passa daqui para acolá, e ele passará, nada vos será impossível”! (Mt 17:20). O desafio é claro: olharemos para o monte ou para o Espírito que nos confere genuíno poder para enfrentar o monte?

III – A OBRA RECONSTRUTORA DO ESPÍRITO SANTO É UMA OBRA COMPLETA (v. 7b-10 “... porque ele colocará a pedra de remate, em meio a aclamações: haja graça e graça para ela! Novamente, me veio a palavra do Senhor, dizendo – as mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa, elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a vós outros”)

Zacarias lembrou que Zorobabel, pelo poder do Espírito, colocaria a “pedra de remate”, ou seja, a última das principais pedras das construções de seu tempo, proporcionando ao povo uma extraordinária alegria e uma redescoberta da beleza da graça divina. Para que não ficasse nenhuma dúvida, Zacarias recebeu uma segunda palavra (v. 8) garantindo que as mesmas mãos de Zorobabel que haviam lançado os fundamentos do templo também seriam as que haveriam de concluí-lo, evidenciando que Zacarias não falava de sua parte mas da parte do Senhor dos Exércitos (v. 9) que controla todas as coisas e completa pelo Espírito Santo todas as coisas que planeja realizar através de nós!

Projetos espirituais que não se completam geram desgastes, insatisfações, desânimos, frustrações, desvios, descréditos, zombarias... (Lc 14:25-30). Projetos espirituais interrompidos são sinais evidentes de que eles ou não foram gestados pelo Espírito de Deus, ou foram gestados pelo Espírito Santo mas não foram executados conforme o Seu poder.

Como podemos ser usados no Reino de Deus num ciclo completo que tenha começo, meio e fim? Paulo viveu esta alegria através do Espírito Santo: aos tessalonicenses, na sua primeira carta, ele afirmou que lhes levara um evangelho não apenas em palavra, mas, “sobretudo em poder, no Espírito Santo, e em plena convicção” (I Ts 1:5); aos presbíteros de Éfeso, segundo ele, ao descer para Jerusalém, o Espírito lhe garantira que em cada cidade encontraria cadeias e tribulações, mas ele não considerava a vida preciosa para ele mesmo, queria apenas completar a sua carreira e completar o ministério que recebera de Jesus para testemunhar o Evangelho da graça (At 20:23-24). O mesmo Espírito que lhe deu a garantia de sofrimento, lhe deu garantia de consolo, poder e autoridade. Mais tarde, sentindo já o peso dos anos, ele declarou satisfeito que estava fechando seu ciclo ministerial: “... o tempo da minha partida é chegado; combatí o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (II Tm 4:6b-7).

Talvez você, ao fazer uma retrospectiva de sua vida, identifica projetos espirituais que você sonhou, planejou, começou mas ficaram abandonados na marcha do tempo porque você talvez tenha agido na sua própria e não na força do Espírito.Nesta noite ouça a palavra do Senhor falando diretamente ao seu coração: “você colocará, pelo meu Espírito, não por sua força ou poder, a pedra de arremate; o que você começou terminará para que haja celebração e o derramar da minha graça; o que suas mãos começaram, pelo meu Espírito, elas haverão de terminar”!

Deixando o plano pessoal, no plano comunitário, como podemos ter a certeza de que nossa igreja nascida em 2006 completará seu ciclo de vida, cumprirá sua missão, fará diferença em nossa cidade e fora dela? Esta certeza está diretamente relacionada ao Espírito Santo, pois somente Ele pode conferir a nós autoridade, ousadia, sabedoria, conhecimento e discernimento para completarmos todos os projetos que Deus determinou para nós! Foi assim que a igreja primitiva fez diferença no seu tempo e em toda a história, conforme bem atestou Lucas em At 9:31 “a igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”!

CONCLUSÃO

A respeito da obra reconstrutora do Espírito Santo, conclusivamente, podemos afirmar:

1. É a obra da Palavra (v. 1-14)

Zacarias viveu a extraordinária experiência que nós também somos chamados a viver: ouvir, entender, introjetar, obedecer e proclamar a Palavra de Deus que se cumpriu plenamente na sua vida, na vida de Zorobabel e na vida de seu povo!

2. É obra marcada pela simplicidade e humildade (v. 10)

Zorobabel, ousadamente, pensou grande, mas sabiamente começou pequeno e viu, pelo Espírito Santo, a obra ser completada obrigando àqueles se opuseram a reconhecerem o grande poder de Deus! Abrir espaço ao Espírito nas pequenas coisas é o melhor caminho para ver um grande mover do espírito nas nossas vidas!

3. É obra plenificada em Jesus (v. 11-14)

Indagando ao anjo quem eram as duas oliveiras, uma à direita outra à esquerda do candelabro (v. 11-13), Zacarias descobriu que elas representavam os “os dois ungidos que assistem junto ao Senhor de toda a terra”. Estes ungidos, nos dias de Zacarias, eram, como já destacamos, Zorobabel, governador em nome do rei, e Josué, sacerdote. Em Zc 3:8 Deus disse a Josué - “eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo”. Em 6:12-13 Zacarias anteviu a chegada do Renovo: “assim diz o Senhor do Exércitos – eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar e edificará o templo do Senhor e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios”. Este Renovo, sem dúvida nenhuma, é Jesus que, a um só tempo, diz a Bíblia, é sumo sacerdote (Hb 4:14, 7:24, 9:11) e rei (Hb 1:8; Mt 22:41-46), bem como profeta (Hb 1:1-4). Ele já veio, morreu na cruz e ressuscitou, tornou-se a pedra angular de um novo templo (I Pd 2:4-6; Is 28:16-18; Mc 12:1-11), transformou-nos em pedras vivas (I Pd 2:4-6), fez de nossos corações o templo de Deus (Hb 3:6), revelou-nos a glória de Deus e tornou-se o tabernáculo vivo de Deus entre nós (Ex 40:36; Jo 2:18-22; Hb 8:1-2; Ap 21:3, 21-22). Assim, a visão de Zacarias, no contexto do NT, conforme dissemos no início, tornou-se plena realidade: candelabro (v. 2) = testemunho da igreja; azeite = o Espírito Santo dado pelo Pai a Jesus e por este derramado sobre a igreja (At 2:32-36); oliveiras = Jesus sacerdote, rei e profeta. Em Cristo, assim, temos acesso à OBRA DO ESPÍRITO SANTO QUE EXTRAPOLA O PODER HUMANO, LEVA À SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS E É UMA OBRA COMPLETA, OBRA GARANTIDA PELO PAI - “SENHOR DE TODA A TERRA” (V. 14)