terça-feira, 15 de maio de 2012

O Alcorão afirma: Paulo transmitiu o verdadeiro Evangelho de Cristo


Por Sam Shamoun

Tradução de Wesley Nazeazeno

Isto pode vir como uma grande surpresa para muitos, ouvirem que o Alcorão implicitamente afirma que os ensinos de Apóstolo Paulo, o qual veio a ser o alicerce do Cristianismo, são derivados de Cristo. Em outras palavras, o Alcorão indiretamente testifica que a teologia do Apóstolo Paulo não foi algo que ele simplesmente forjou com o intuito de conseguir convertidos dos Gentios, mas sim algo de Deus através de Cristo.
Antes de apresentarmos as evidências, gostaríamos de primeiro esclarecer nossas razões por apelar para o Alcorão. Nós não cremos que o Alcorão é a palavra de Deus. Entretanto, nós cremos que o Alcorão é um registro antigo do que os primeiros Muçulmanos creram. Sendo assim, o Alcorão se tornou uma fonte importante de informações para descobrir as crenças oficiais dos primeiros Muçulmanos.
À luz disso, isto leva-nos a repetir que o Alcorão testifica que o Cristianismo proclamado por Paulo (i.e., o Cristianismo “Paulino”) é o Cristianismo verdadeiro.
Nós baseamos nossa posição na declaração do Alcorão de que os verdadeiros crentes em Cristo prevaleceriam sobre os descrentes até o Dia da Ressurreição:
“E quando Deus disse: Ó Jesus, por certo que porei termo à tua estada na terra; ascender-te-ei até Mim e salvar-te-ei dos incrédulos, fazendo PREVALECER sobre eles os teus prosélitos, ATÉ O DIA DA RESSURREIÇÃO. Então, a Mim será o vosso retorno e julgarei as questões pelas quais divergis.” Surata 3:55
“Ó fiéis, sede os auxiliadores de Deus, como disse Jesus, filho de Maria, aos discípulos: Quem são os meus auxiliadores, na causa de Deus? Responderam: Nós somos os auxiliadores de Deus! Acreditou, então, uma parte dos israelitas, e outra desacreditou; então, socorremos os fiéis contra seus inimigos,  E ELES SAÍRAM VITORIOSOS.” Surata 61:14
 
De acordo com estas passagens, Allá deu poder aos seguidores de Cristo para prevalecerem sobre os descrentes, e os fez vitoriosos (literalmente, ‘superiores’)até o dia da ressurreição. Não obstante, aqueles que prevaleceram foram os Apóstolos como Paulo e também seus seguidores. Isto significa que se o Alcorão está correto, então a mensagem de Paulo é a verdade já que ela se tornou dominante e tem prevalecido sobre todas as mensagens opostas a ela.
Sayyid Outh comenta sobre a Surata 3:55:
... isto também foi da vontade de Deus de elevar os seguidores de Jesus sobre os descrentes até o Dia da Ressurreição...
Não é difícil, por outro lado, explicar a afirmação de Deus de que Ele tem estabelecido aqueles que seguem a Jesus sobre os descrentes, e que esta elevação continua até o Dia da Ressurreição. Aqueles que seguem Jesus são aqueles que creram na verdadeira religião de Deus, o Islã, ou se entregam a Deus. Cada profeta está totalmente atento à verdadeira natureza desta religião. Cada mensageiro pregou a mesma religião e cada um que verdadeiramente crê através da fé Divina acredita nisto. Estes crentes são de fato muito mais superiores aos descrentes, segundo a medida de Deus, e eles continuarão a ser até o Dia do Julgamento. Além disso, eles provam sua superioridade em nossa vida prática em cada vez que eles confrontam forças da fé irreal com a verdadeira natureza da fé e a realidade de se seguir os mensageiros de Deus. A fé divina é uma, como foi pregada por Jesus, filho de Maria, e como foi pregada por cada mensageiro enviado antes dele e pelo mensageiro enviado após ele. Aqueles que seguem Mohamed ao mesmo tempo seguem todos mensageiros enviados por Deus, começando por Adão até o último dos mensageiros. (In the Shade of the Qur’an – Fi Zilal al-Qur’an, Volume 2, Surata 3, traduzido para o inglês e editado por Adil Salahi & Ashur Shamis [The Islamic Foundation, 2000], pp. 97-98
O problema com a declaração de Outb é que os crentes Cristãos que prevaleceram sobre todos não foram Muçulmanos e sua mensagem certamente não foi o Islã. Consequentemente, ou os verdadeiros seguidores de Cristo foram derrotados, o que faria o Alcorão ser falso por dizer que eles dominariam; ou o Alcorão é falso desde o começo porque contradiz a verdadeira mensagem dos seguidores de Cristo.
Em resposta à questão concernente ao 3:55, Moiz Amjad escreve:
Este verso se relaciona à lei relativa aos mensageiros de Deus. Como uma punição aos que rejeitaram Jesus (paz seja sobre ele), o Alcorão tem mencionado que ao tempo da decisão de Deus relativa ao término da missão de Jesus (paz seja sobre ele), Deus declarou que após ele, aqueles que creram em Jesus (paz seja sobre ele) dominariam aqueles que o rejeitaram (i.e., os Judeus) até o Dia do Julgamento. No verso referido, aqueles que creram em Jesus (paz seja sobre ele) refere-se aos Cristãos. Isto está claro nos dias atuais, a coletividade dos Judeus está completamente dependente da coletividade dos Cristãos porque são eles que mantêm sua existência. (Fonte; ênfase em negrito são nossas).
Maulana Muhammad Ali escreve sobre S. 3:55:
... Este verso contém quatro promessas relativas ao triunfo de Jesus sobre seus inimigos e os planos deles... E a quarta promessa é que aqueles que seguem Jesus devem ser feitos dominantes sobre aqueles que rejeitam até o dia do Julgamento. A verdade desta quarta profecia é testemunhada NESTES DIAS no domínio dos Cristãos sobre os Judeus. (Ali, Holy Quran [Ahmadiyyah Anjuman Isha’at Islam Lahore Inc. USA, 1995], pp. 147-148, fn. 439; negrito e letras maiúsculas são nossas)
Aqui estão suas afirmações sobre S. 61:14:
... A descrição aplica-se ao triunfo dos ensinos de Cristo sobre aqueles que se opuseram à disseminação de seus ensinos, e fala profeticamente do ultimato triunfal do Islã sobre todas as outras religiões do mundo. (Ibid., p. 1058, fn. 2501; ênfase em negrito é nossa)
Ali falha em mencionar que os ensinos que dominaram foram aqueles transmitidos por Paulo (a qual é a mesma mensagem pregada por Cristo e pelos outros discípulos)!
A. Yusuf Ali, em sua tradução The Holy Qur’na – Text and Commentary, p. 1543, nota de rodapé 5448, diz:
Uma porção dos Filhos de Israel – aqueles que realmente se preocuparam com a Verdade – creu em Jesus e seguiram sua orientação. Mas a maior porção deles era de corações duros e permaneceram em seu caminho surrado de formalismo e falso orgulho racial. A maioria parecia ter a vantagem quando eles pensaram ter crucificado Jesus e ter matado a sua Mensagem. Mas seus sentidos rapidamente voltaram. Jerusalém foi destruída por Tito em 70 a.D. e os Judeus têm vivido fugindo deste então... ... Por outro lado, aqueles que seguiram Jesus PERMEARAM o Império Romano, trazendo muitas novas raças para seu círculo, e, através do Império Romano, o Cristianismo se tornou a religião predominante do mundo até o advento do Islã... (negrito e maiúsculas são nossas)
O que desta vez Ali falhou em notar é que a forma do Cristianismo que permeou o Império Romano é o que os Muçulmanos com o intuito de degradar chamam de Cristianismo “Paulino”. Por esta razão, que a mensagem de Paulo dominou é um sinal que seu Evangelho é aquele que Deus confiou aos verdadeiros seguidores de Cristo. Se argüirem que a versão de Paulo sobre o Cristianismo é uma aberração da verdade, isto significa que o Alcorão está errado por declarar que Deus providenciou que os verdadeiros seguidores de Cristo prevalecessem. Isto significaria que Paulo era capaz de frustrar os propósitos de Allá, sendo capaz de prevenir os verdadeiros crentes de dominar sobre seus inimigos.
Aqui está o comentário posterior de Abu Al’a Maududi sobre a S. 61:24:
... Aqueles que não creram em Jesus Cristo são os Judeus, e aqueles que creram nele são os Cristãos bem como os Muçulmanos, e Allá garantiu-lhes domínio sobre os descrentes de Cristo. Seu significado requer [sic] que os Muçulmanos bem como os crentes em Cristo têm dominado sobre seus descrentes no passado, e então os crentes do Profeta Mohamed (sobre quem está a paz de Allá) prevalecerão sobre os infiéis. (Meaning of the Qur’an, Volume V, desenvolvimento para o inglês de A.A. Kamal, M.A. [Islamic Publications (Pvt.) Limited, 13-E, Shahalam Market, Lahore-8, Paquistão], p. 516, fn. 21; ênfases sublinhadas são nossas)
Como pudemos notar anteriormente, o problema óbvio com a explicação de Maududi é que a mensagem dos verdadeiros fiéis a Cristo se contradiz diretamente com a mensagem do Islã. Isto é, se alguém quiser dizer que a verdadeira mensagem de Cristo foi distorcida e uma falsa mensagem prevaleceu sobre ela, isto seria ao menos uma declaração que contradiz a leitura clara das passagens em questão.
Assim Maulana Abdul Majid Daryabadi, enquanto comenta a última parte da S. 61:14, declara:
... (e nem o Mensageiro NEM A MENSAGEM poderia ser destruída). (Tafsir-Ul-Qur’an Translation and Commentary of the Holy Qur’an, Volume IV [Darul-Ishaat Urdu Bazar, Karachi-l, Paquistão; Primeira Edição: 1991], p. 356, fn. 270; ênfase em letras maiúsculas são nossas)
Novamente, se o Cristianismo “Paulino” é uma corrupção dos verdadeiros ensinos de Jesus, então a mensagem foi destruída e Allá falhou em fazer acontecer o que ele disse que aconteceria!
O notório comentarista Muçulmano Ibn Kathir tem declarações mais interessantes. Comentando sobre S. 3:55, ele escreve:
“É isto o que aconteceu. Quando Allá elevou ‘Isa (i.e. Jesus) ao céu, seus seguidores se dividiram em seitas e grupos. Alguns deles creram no que Allá enviou, em ‘Isa como servo de Allá, Seu Mensageiro e filho de Sua serva.
Entretanto, alguns deles foram ao extremo oposto de ‘Isa, crendo que ele era o filho de Allá. Alguns deles disseram que ‘Isa era o próprio Allá, enquanto outros disseram que ele era um da Trindade. Allá mencionou estas falsas crenças no Alcorão e as refutou. Os Cristãos permaneceram assim até o terceiro século, quando um rei Grego chamado Constantino se tornou um Cristão com o propósito de destruir o Cristianismo. Constantino foi um filósofo ou então era apenas um simples ignorante. Constantino mudou a religião de ‘Isa adicionando ou subtraindo coisas dela. Ele estabeleceu os rituais do Cristianismo e a tão falada Grande Verdade que é de fato a Grande Traição. Ele também os permitiu comer a carne de suínos, construir igrejas para ‘Isa e adicionou dez dias para o jejum como uma compensação por algum pecado que ele tenha cometido, como foi declarado. Então a religião de ‘Isa se tornou a religião de Constantino, que construiu igrejas por mais de doze séculos, templos e monastérios para os Cristãos, tão apropriadamente quando uma cidade que tem seu nome, Constantinopla (Istambul). EM TODO ESTE TEMPO, os Cristãos tiveram vantagem e dominaram os Judeus. ALLÁ OS AJUDOU CONTRA OS JUDEUS PORQUE ELES ESTÃO AINDA MAIS PERTO DA VERDADE DO QUE OS JUDEUS, mesmo que ambos os grupos fossem e ainda são descrentes, de modo que a maldição de Allá pode cair sobre eles.” (Tafsir Ibn Kathir (Abridged), Volume 2, Partes 3, 4 e 5 (Surata Al-Baqarah, Verso 253, para Surata An-Nisa, Verso 147), abrigado por um grupo de estudiosos sob a supervisão do Xeique Safiur-Rahman Al-Mubarakpuri [Darussalam Publisher & Distributors Riyadh, Houston, Nova Iorque, Lahore; Primeira Edição: Março de 2000], p. 171; ênfases em negrito e maiúsculo são nossas; cf. versão online.
A explicação de Kathir não resolve o problema, pois se o Alcorão é correto, então o Cristianismo que Ibn Kathir ataca de fato também é verdadeiro. De outra maneira, o comentário de Ibn Kathir implica que Allá ou permitiu que uma forma falsa de Cristianismo prevalecesse ou então falhou em garantir o domínio dos verdadeiros fiéis de Cristo sobre aqueles que procuravam perverter os verdadeiros ensinos de Jesus!
Outro renomado comentarista, Al-Qurtubi, diz sobre a Surata 61:14:
Foi dito que ESTE VERSO foi revelado sobre os apóstolos de Jesus, que a paz e a benção sejam sobre ele. Ibn Ishaq declarou que dos apóstolos e discípulos que Jesus enviou (para pregar) estavam Pedro E PAULO que foi para Roma; André e Mateus que foram para uma terra de canibais; Tomás que foi para Babilônia nas terras orientais; Felipe que foi para a África; João que foi para Dac-sos (?) que é uma tribo onde os que dormem em cavernas viveram; Jacó foi para Jerusalém; Bartolomeu foi para as terras da Arábia, especificamente para Al-Hijaz; Simão foi para os Bárbaros; Judas e Barthas (?) foram para a Alexandria e em suas regiões circunvizinhas.
Allá os sustentou (os apóstolos) com a evidência de que eles prevaleceram (tharirin), significando que eles se tornariam o grupo vantajoso. Exatamente foi é dito, “Um objeto apareceu na parede” significando que isto é claramente visível (alu-wat) na parede. Allá, que é glorificado e exaltado, conhece bem melhor a verdade e a Ele pertence o retorno e abrigo. (Fonte; traduzido para o Inglês por Dimitrius, ênfases no texto são nossas)
Perceba como al-Qurtubi não teve receio em admitir que Paulo foi um legítimo seguidor de Cristo! Se al-Qurtubi está correto, então isto significa que Paulo foi um dos seguidores aos quais Deus deu poder para se sobrepor aos descrentes e prevalecer!
O próximo escritor, um moderado, faz a seguinte admissão bem sincera em referência ao 3:54 e 61:14 (comentários dentro de [ ] são nossos):
Os leitores Cristãos estarão especialmente interessados em aprender que o Alcorão ensina que Jesus foi o melhor profeta de Deus, e que os Cristãos estarão colocados acima dos não-crentes até o Dia do Julgamento. Te surpreende saber que o Alcorão pode ter sido planejado para os Cristãos, para confirmar tudo que eles têm ensinado sobre Cristo? (Dr. Nader Pourhassan, The Corruption of Moslem Minds [Barbed Wire Publishers, Las Cruces, New Mexico 2002] pp. 61-62)
Na primeira vez em que li este verso [3:54] no Alcorão, eu dificilmente pude acreditar em meus olhos. Ainda hoje, com qualquer Muçulmano que discuto sobre este verso fica chocado. No Alcorão, Deus diz a todos Muçulmanos que os seguidores de Jesus serão exaltados acima dos infiéis até o Dia da Ressurreição. Enquanto há alguns versos no Alcorão que prometem o mundo para o povo Muçulmano se eles seguirem seus ensinamentos, eles são seguidos por predições de que eles irão desobedecer a seu livro sagrado, e não conservarão seus mandamentos. A predição de Deus de que os Cristãos terão sucesso em seus feitos é ainda mais esclarecedora nos versos seguintes [o autor cita 61:14] ...” (Ibid, pp.103-104)
Muitos Muçulmanos obtém seu entendimento do Alcorão através de interpretações de seus líderes religiosos. Poucos questionam aquilo que lhes é posto para acreditar. Mas o livro sagrado contém muitas mensagens que podem chocá-los por sua complacência. Por exemplo, no Alcorão há um verso dizendo [cita 3:54] ...
O verso acima simplesmente diz que os Cristãos estarão acima dos não-crentes até a ressurreição. Além disso, o Alcorão afirma:
“Não hesitem e sintam-se entristecidos já que vocês são superiores, se vocês são crentes.”
A conclusão mais racional para isto é que ao longo de todos crentes, quer sejam Judeus, Cristãos ou Muçulmanos, somente um grupo estará acima dos descrentes e somente um grupo será superior. Este grupo será composto dos crentes que são seguidores de Jesus (Cristãos) ... (Ibid, p. 119)
Consequentemente, os Muçulmanos estão num dilema que eles próprios não podem resolver facilmente. Isto é, aceitar o Alcorão é aceitar o Cristianismo “Paulino”. E ainda, aceita o Cristianismo “Paulino” é rejeitar o Alcorão, já que o Alcorão contradiz a essência do ensino de Paulo que tem sido preservado nas páginas da Bíblia Sagrada e também através da história pelos verdadeiros Cristãos.
Um Muçulmano pode desejar argumentar que estes versos referem-se a Mohamed e aos Muçulmanos como sendo aqueles que verdadeiramente crêem em Cristo e dominam até o dia da Ressurreição. Esta explicação falha em resolver o problema. As passagens não dizem que os seguidores de Cristo somente prevaleceriam a partir do tempo do advento de Mohamed, mas a partir do momento em que Cristo foi tomado por Deus até o Dia da Ressurreição.
De fato, esta visão Muçulmana pode ser encontrada no comentário de Mufti Shafi’ Uthmani, que escreve sobre a Surata 61:14:
Baghawi interpreta este verso à luz da narração de Sayyidna Ibn ‘Abbas que quando o profeta ‘Isa foi elevado ao céu, seus seguidores discordaram e se tornaram três grupos. Um grupo afirmou que Ele próprio era Deus e que teve que voltar ao céu. O segundo grupo declarou que Ele próprio não era Deus, mas o filho de Deus. Deus o tomou e o salvou dos inimigos e garantiu-lhe superioridade. O terceiro grupo proclamou a verdade e disse que ele não era deus e nem o filho de deus, mas que ele era um servo de Allá e Seu Mensageiro. Allá o tomou para o céu para protegê-lo de seus inimigos e aumentou-lhe o prestígio. Aquelas pessoas foram os verdadeiros crentes. Os grupos conflitaram com o outro grupo. O grupo dos não-crentes dominou o terceiro grupo que era dos verdadeiros crentes. Eventualmente, Allá trouxe o Mensageiro Final de Allá que deu suporte ao grupo dos verdadeiros crentes. Deste modo este grupo dominou os outros por causa de sua crença correta e suas provas sólidas confirmadas pelos Alcorão. [Mazhari]
Nesta interpretação, a frase... “aqueles que creram [14]” se referiria à Ummah do Profeta ‘Isa que prevaleceria contra os descrentes com a ajuda e apoio do Mensageiro Final. [Mazhari]. Alguns estudiosos asseguram que quando o Profeta ‘Isa foi elevado ao céu, seus seguidores se dividiram em dois grupos. Um deles creu que ele era Deus ou o Filho de Deus e por esta razão se tornaram politeístas. O outro grupo creu que ele era servo de Allá e Seu Mensageiro, e por isso se fixaram na religião correta. Então houve uma guerra entre os crentes e os descrentes. Allá GARANTIU VITÓRIA à facção fiel do Profeta ‘Isa contra a facção descrente. Mas isto é popularmente entendido que na religião do Profeta ‘Isa a instituição da jihad não existe. Por isso, é inconcebível que os fiéis tenham travado uma guerra. [Ruh-ul-Ma’ani]. Entretanto, é possível que os Cristãos infiéis possam ter começado a guerra e o Cristãos fiéis tenham sido forçados a se defenderem. Isto se caracterizaria como guerra. (Uthmani, Maariful Quran, Volume 8, pp. 443-444; fonte; ênfases no texto são nosso)
Nós já notamos o problema com essa explicação, mas nos impele a repetir: o texto da Surata 61:14 não diz que os verdadeiros seguidores de Jesus prevaleceriam somente no tempo de Mohamed, mas que a eles foi claramente dado vitória sobre os descrentes desde seu princípio. Isto significa que esta segunda interpretação proposta por Mufti soa como a primeira (já que ela também tem sérios problemas históricos).  Além disso, apesar de concordarmos com o Mufti que Jesus nunca ordenou a jihad para seu seguidores, seus comentários estão em conflito direto com o Alcorão que declara que Allá ordenou aos Cristãos observar a jihad no Evangelho:
Deus cobrará dos fiéis o sacrifício de seus bens e pessoas, em troca do Paraíso. Combaterão pela causa de Deus, matarão e serão mortos. É uma promessa infalível, que está registrada na Tora, no Evangelho (Injeel) e no Alcorão. E quem é mais fiel à sua promessa do que Deus? Regozijai-vos, pois, a troca que haveis feito com Ele. Tal é o magnífico benefício. (Surata 9:111) 
Seja como for, nos parece muito claro nos comentários de Mufti que os Muçulmanos têm sofrido tentativas muito difíceis para conciliar o Alcorão com o fato histórico de que o Cristianismo que tem prevalecido até os dias de hoje é o que Paulo ensinou e é o que está registrado nas páginas do Novo Testamento!
Talvez seja por isso que homens como Ibn Ishaq, Ibn Kathir, al-Tabari, al-Qurtubi e al-Thalabi puderam ver Paulo numa perspectiva positiva. Eles aparentemente compreenderam que Paulo teve uma tremenda influência no crescimento e expansão do Cristianismo, e tem sido soberanamente usado por Deus como seu instrumento de dominação sobre os descrentes.
Para resumir a evidência Islâmica, descobrimos que
  • O Alcorão registra o domínio dos verdadeiros fiéis de Cristo sobre os infiéis.
  • Este domínio continuará até o Dia da Ressurreição.
  • A Mensagem de Paulo dominou e se tornou superior a todas outras mensagens opostas.
  • Isto implica que se o Alcorão está certo, então a mensagem de Paulo deve estar correta.
E ainda, estes fatores apresentam os seguintes problemas aos Muçulmanos:
  • O Alcorão contradiz o ensino essencial do Apóstolo Paulo bem como a mensagem do Bíblia Sagrada como um todo.
  • Desde que o Alcorão e os comentaristas Muçulmanos antigos claramente testificam a precisão e legitimidade da pregação de Paulo, isto significa que o Alcorão não pode ser a palavra de Deus, mas sim a palavra de homens falíveis como Mohamed e /ou outros.
  • Isto também implica que o(s) autor(es) do Alcorão foi (foram) ignorante(s) acerca da verdadeira mensagem da Bíblia Sagrada e do Apóstolo Paulo, e pensou (pensaram) que ela concordava com seu(s) próprio(s) ensino(s). O(s) autor(es) presumivelmente pensou(aram) que reconhecendo o testemunho da Bíblia Sagrada ele(s) consequentemente estariam legitimando as ditas profecias sobre Mohamed. Tendo ele(s) estado(s) cuidadoso(s) da verdadeira mensagem da Bíblia Sagrada, o(s) autor(es) pode(m) não ter dado tanto crédito tanto para Paulo quanto para a Bíblia Sagrada.
Isto encerra nosso estudo. Oramos que nosso exaltado Senhor e Salvador imortal usará estas palavras para conduzir preciosos Muçulmanos para seu glorioso amor e verdade. Amém. Vem Senhor Jesus. Nós sempre o amaremos pela graça todo poderosa, e soberana de Deus.